Num contexto de adversidade, o fnanciamento das PME e a internacionalização apresentam-se como duas questões indissociáveis e imprescindíveis à sobrevivência das nossas empresas. Assim, a AIDA entendeu ser este o momento de dar destaque à discussão destes temas que constituíram o mote do 3.º Fórum Empresarial da Região de Aveiro, realizado no passado dia 9 de Novembro.
O 3.º fórum, que mereceu o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da Republica, constituiu um encontro empresarial onde foram expressas preocupações, dúvidas e opiniões, tendo os presentes tido oportunidade de participar em momentos de networking.
Num evento que contou com as intervenções de um distinto leque de oradores, participaram de forma bastante interventiva 410 empresários e agentes económicos dos mais variados sectores de actividade económica, a nível regional e nacional, ilustrando a necessidade sentida pelo tecido empresarial de espaços de debate alargado, no qual se sinta parte activa.
Lamentavelmente, constatou-se que as conclusões das edições anteriores realizadas em 2008 e 2010 se mantêm actuais, sendo os obstáculos apontados, na altura, ao exercício da actividade empresarial, os mesmos, agravados pelas sucessivas medidas de austeridade, acrescendo aos mesmos a insufciência de instrumentos dinamizadores do investimento e as restrições no acesso ao crédito.
Os inexpressivos e nitidamente exíguos cortes na despesa pública, em detrimento do constante aumento do lado da receita, por via dos impostos, foram algumas das preocupações manifestadas pelos presentes, tendo sido reforçada, uma vez mais, a ideia de que o Governo deve dar “o exemplo” através nomeadamente, da redução do número de deputados na Assembleia da República, de 230 para 181, prevista na Constituição da República resultando numa diminuição do orçamento da Assembleia superior a 25%.
Com um défce externo que atingiu 10%, as empresas exportadoras conseguiram aquilo que há dois anos atrás parecia inatingível – a sua correcção e consequente reequilíbrio da balança comercial.
O País deve estar grato a estas, mas também àquelas que trabalharam no sentido da diminuição das importações. Mas atenção, o desequilíbrio das Finanças Públicas, com a consolidação a ser feita a 80% do lado da receita e em 20% do lado da despesa torna-se insustentável.
Os participantes no Fórum foram, igualmente, unânimes em considerar que Portugal tem capacidade para defnir as melhores reformas a implementar, sem necessidade de intervenção de entidades externas. Mas essa capacidade tem que ser demonstrada pelo Governo. Veja-se o que se está a passar com a greve dos portos – pura chantagem de um grupo de privilegiados!... O que espera o Governo para fazer a requisição civil? Como é possível acrescentar ao preço de custo o frete para colocar os nossos equipamentos, por exemplo, no porto de Barcelona? A greve dos portos é uma chantagem nacional – maldita pátria que tais flhos tens!...
O dinamismo e empreen dedo rismo do distrito de Aveiro, que benefcia do relacionamento de extrema proximidade entre o sistema científco e de ensino e o tecido empresarial foi realçado, assim como a sua capacidade de iniciativa, de fazer e concretizar, tendo sido anunciado que o distrito de Aveiro ocupa o 2.º lugar no ranking da atribuição de incentivos às empresas.
Foi, também, destacada neste fórum a importância de contratar Recursos Humanos competentes, já que a competência das empresas depende das competências das pessoas, sendo este um factor de diferenciação no mercado global.
Das diversas intervenções concluiu-se ser a internacionalização da economia portuguesa como a melhor e, eventualmente, única estratégia para uma recuperação económica sustentada, considerando desde logo o facto de o mercado interno estar em retracção principalmente devido às difculdades de acesso ao crédito ao consumo e o grave e consecutivo aumento dos níveis de desemprego.
Uma particular chamada de atenção foi feita para a aposta em nichos de mercado, considerando que a crise económica não se cinge ao mercado interno, que podem permitir um incremento das exportações nacionais. As conclusões do 3.º Fórum Empresarial serão trabalhadas pela AIDA, com o objectivo de serem apresentadas a Sua Excelência, o Presidente da República, Prof. Aníbal Cavaco Silva, no sentido de que não caiam no esquecimento e sejam tomadas em conta na defnição das futuras políticas económicas.
VALDEMAR COUTINHO, ENG.
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