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Sector do calçado apresenta plano para aproveitar sinergias do QREN
Nas comemorações do 20º aniversário do Centro Tecnológico do Calçado Português, foi apresentado o Plano Estratégico para o Calçado assim como o investimento de 30 milhões de euros na investigação, desenvolvimento e inovação, no decurso do programa ShoeInov.
Sector do calçado apresenta plano para aproveitar sinergias do QREN
Nas comemorações do 20º aniversário do Centro Tecnológico do Calçado Português, foi apresentado o Plano Estratégico para o Calçado assim como o investimento de 30 milhões de euros na investigação, desenvolvimento e inovação, no decurso do programa ShoeInov.

CENTRO TECNOLÓGICO DO CALÇADO INVESTE 30 MILHÕES EM I&D E INOVAÇÃO
O Plano Estratégico para o Calçado, documento que pretende apontar caminhos e estratégias para o sector, a vigorar entre 2007 e 2013 no âmbito do QREN, foi apresentado no decurso das comemorações do 20º aniversário do Centro Tecnológico do Calçado Português. Durante esta cerimónia foi ainda dado a conhecer em pormenor o investimento de 30 milhões de euros que aquela entidade promoverá na investigação e desenvolvimento e inovação, no decurso do programa ShoeInov, também ele aplicável entre 2007 e 2013.

Preparado pelo núcleo do Porto da Universidade Católica, sob a liderança do economista Alberto de Castro, o Plano Estratégico para o Calçado pretende discernir as opções futuras que se colocam perante o sector, dado que “ os desafios são os mesmos de sempre”, afirmou na ocasião o seu coordenador. Ao expor as linhas mestras do documento, o economista assegurou que “o principal desafio que hoje se coloca ao sector é o da gestão”.

O Plano Estratégico contempla alguns critérios envolventes como “um novo programa quadro, o novo QREN e uma nova atitude da administração pública perante o sector, que no entanto não vai tão longe como poderia em termos de descentralização de fundos”, considera Alberto de Castro. Aquele académico apontou igualmente como notas a reter do documento a “sensibilidade para as questões do ambiente, conforto e moda”, bem como o aparecimento de um novo mercado para o sector propiciado pelo envelhecimento da população, criando uma camada que chamou “os novos velhos”, com necessidades específicas.
As novas oportunidades referidas no documento passam pelo aparecimento na cena internacional de “mercados de grande dimensão”, como os da China, Índia, Brasil e Rússia. Tratando-se de países que levaram ao “aprofundamento da concorrência” e geraram um “aumento na procura de concorrentes”, representam igualmente , segundo Alberto de Castro, “mercados de grande dimensão, apetecíveis para pequenas empresas de pequenos países dispostas a apostar em nichos”, revelou.

Sector pede “cooperação virtuosa”
Em relação ao último plano estratégico, delineado há cinco anos atrás – recorde-se que essa colaboração entre a Universidade Católica e o sector do calçado, representado na APICCAPS, dura há 17 anos – .

Alberto de Castro afirmou que os novos desafios devem ser colocados com “maior acuidade”. Na sua opinião, “há empresas bem sucedidas que seguem caminhos diferentes, pelo que não existe uma receita única”. Por outro lado, “a APICCAPS deve continuar a ser entidade de mediação e propor soluções quanto à rigorosa análise custo/benefício, lógica distribuidora dos recursos e lógica selectiva”. Ou seja, reformulou “ a dinâmica não se faz com todas as empresas ao mesmo tempo, mas onde alguns, que assumem a liderança do sector, arrastam as outras empresas”, numa dinâmica selectiva proposta pelo QREN.

Desta forma, o sector deverá marcar “uma presença internacional mais forte mas nunca abdicando do mercado interno”, considera Alberto de Castro. Nesse sentido, disse, é importante prevenir eventuais “distorções” geradas pela atribuição de fundos e “realizar estudos de benchmarking”, mas também “desburocratizar apoios à promoção externa e marcas”. Por outro lado, os próprios empresários devem aprofundar a cooperação nas várias áreas de negócio e gestão profissional e não apenas na inovação e tecnologia. Essa “cooperação virtuosa” passa, entre outros, por “joiner-ventures e alianças estratégicas para determinados pontos”. Por último, frisou, o sector deve ser capaz de “voltar a dar actividade ao emprego no calçado e apostar na qualificação”, concluiu.

Visão, estratégica e liderança
José Manuel Mendonça, do INESC Porto referiu que o sector nacional do calçado “parece de outro país”. As empresas colaboram, trocam experiências e conhecimentos, deslocalizaram alguns segmentos de produção, reduzindo custos e partilhando riscos”. Para este académico, é necessária “uma visão, uma estratégia e uma liderança capaz de sustentar competências críticas, num país que continua débil em termos de tecnologia e engenharia”, concluiu.

ShoeInov quer dar competitividade ao sector
A ambição dos profissionais do sector do calçado terá que ser, como referiu Leandro de Melo, director-geral do CTCP, “construir a indústria mais competitiva do mundo no fabrico de calçado técnico e pronto-moda”. Esta vontade está consubstanciada no programa ShoeInov, apresentado por aquela entidade para desenvolver projectos de I&D e inovação, no quadro do QREN. Assim, o programa prevê a exploração de novos conceitos de actuação, nomeadamente nas áreas do luxo, ecologia e ambiente, arte e tradição, saúde, conforto e segurança. Segundo o responsável da CTCP, esse desiderato será atingível através do seu posicionamento em “novas funcionalidades técnicas” e “calçado inteligente”.

A redução de custos produtivos mediante aposta no design pode chegar aos “50%” na mão-de-obra e na montagem e acabamentos”, bem como na indústria de componentes pré-fabricados. Também a automatização, a logística interna e sofisticação através de equipamentos avançados podem contribuir para esse objectivo, assinalou Leandro de Melo.

Com vários eixos de intervenção, o programa ShoeInov pretende mobilizar toda “a fileira, as empresas de base tecnológica e I&D que trabalham para o sector e várias entidades como centros tecnológicos e universidades”. Representando 0,3% do valor estimado de produção do sector para os anos 2007-2013, o investimento de 30 milhões de euros deverá ser capaz de intervir em todos os segmentos produtivos do calçado. Em causa estão aspectos como o aperfeiçoamento de materiais, a criação de novos equipamentos para a sua aplicação, implementação de novos processos produtivos, lançamento de um núcleo para qualificação dos quadros entre empresas, para além da criação de novos modelos de negócio, captando novos clientes, diversificando mercados e penetrando em áreas estratégias da cadeia de valor.

QREN valoriza qualificação
O gestor do Prime, Nelson de Souza, participou igualmente do debate, referindo que o novo QREN, ao contrário dos anteriores programas comunitários, “não prevê nenhum sistema de incentivo destinado à modernização das empresas”, lançando antes um enfoque particular sobre as matérias da qualificação e do conhecimento. O QREN, explicou, pretende fomentar o “incremento da produção transaccionável e direccionada para os mercados internacionais”, alterando o perfil de especialização “para segmentos de maior valor acrescentado, no qual têm grande importância os sectores tradicionais como o calçado”.

Fonte: Jornal Vida Económico
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